Este dia seria marcado pela ida
de Anita ao Uruguai, deixando assim o posto de guia turística que havia ocupado
até agora. Combinamos de almoçar juntos pela última vez em Buenos Aires.
Acordei cedo para atualizar este diário, mas antes fui ao
mercado para comprar açúcar e leite. Havia um mercado pequeno próximo à casa de
Gonzalo, cujos donos são imigrantes chineses (o que é muito comum por aqui
nesse ramo). Para ir até Palermo
tomei o ônibus 37 como de costume, na Av.
Entre Ríos e saltei no Parque de Las
Heras, o que me fez ter de caminhar algumas quadras a mais, o que pra mim
não tem muito problema, ainda mais estando numa cidade distinta como Buenos
Aires.
Encontrei com Anita no seu
prédio, às 13h30min. Comeríamos num local chamado La
Fábrica de Tacos.
Muito bom o local! Todo decorado com uma temática mexicana, bem simples, o que
me agradou. Mas o que marcou de fato o almoço foi o “mimimi” da Anita por conta
de uma gorjeta. Eu explico! De imediato, Anita não gostou muito do local, pois
pediu um taco vegetariano e veio um pedaço de carne (pequeno, mas era carne),
que aparentava ser do meu taco, uma vez que os dois pedidos foram preparados
juntos. Depois de meter a boca no local por conta do ocorrido, perguntou se eu
não era parceiro de procurar outro local pra comer. Disse a ela que não, pois
havia gostado do meu taco e ainda gostaria de provar um outro de carne de
porco.
Pode ser que a minha recusa a
tenha deixado de cara, enfim, continuamos por lá. Depois de provar o segundo
taco, estava realmente satisfeito, sendo assim, pedimos a conta. Anita deu a
parte dela, algo em torno de 77 pesos, restando 120 pesos que seria a minha
parte. Juntei 120 pesos e deixei na mesa, quitando assim o total da conta.
Pronto, estava armado o circo. Anita passou a dizer que eu tinha que dar mais
dinheiro porque eles contavam com a grana da gorjeta, digamos assim. Mas o que
a deixou puta mesmo foi quando disse que ninguém me dá o dinheiro que eu ganho,
então não saio dando assim só porque ela quer. Rs!
Saímos dali e continuamos a
“discussão” pela rua. Mas é impossível discutir com a Anita! Ô guria teimosa.
Passou então a dizer que eu estava gritando com ela, coisa que eu não estava
fazendo (quem me conhece sabe que meu tom de voz é naturalmente alto mesmo), e
num dado momento, quando caminhávamos eu toquei em seu braço pra argumentar e
ela soltou essa: “Vai me empurrar agora?” Só rindo mesmo... Depois disso dei a
discussão por encerrada e me calei. Enfim, depois dali fomos retirar um
ingresso que ela havia comprado pra um show do Pedro Aznar, que haveria na
cidade. Me despedi dela agradecendo pela parceria e pelos rolês. Conheci muita
coisa devido ao faro dela. Dei um abraço, um beijo, mas não me contive e
lancei: “E eu estou longe de ser mesquinho, você não me conhece!”. E assim fui
embora. Apenas um desentendimento, nada mais! A Anita é uma guria fora de série, parceira de rolê pra todo lado da cidade, a treta fica por conta das duas personalidades em questão...
Voltei pra casa do Gonzalo, pois
tinha a intenção de lavar umas roupas, já que gentilmente ele havia me
disponibilizado a lavanderia da casa. Chegando lá, de imediato percebi que não
havia luz, fato este que me possibilitou conhecer melhor os outros membros da
casa, que até então não tinha tido a oportunidade. Com a ausência da
eletricidade sentei-me na área de convívio da casa para atualizar meu diário de
viagem, aproveitando a luz natural de uma claraboia para escrever. Foi quando
Pedro e José, os brasileiros que moram na casa, perguntaram se eu não era
parceiro de comprar umas cervejas, pois Pedro tinha um cupom promocional, que
com o qual pagaríamos menos se comprássemos acima de seis unidades.
Como já era algo que planejava
fazer para agradecer a hospitalidade de todos, aceitei. Me convidaram também
para jantar com eles. Durante o preparo do jantar, já com a casa toda escura,
iluminada somente por algumas velas, conheci Macarena, uma guria do Uruguai a
qual já tinha sido apresentada no primeiro dia meu na casa, mas que não tinha
tido a oportunidade de conversar. Muito gente fina, compreende bem o
português, embora não fale de forma fluente. Conversamos numa mistura de
português e espanhol, assim ambos pudemos aprender um pouco. À medida que o
tempo foi passando outros moradores da casa foram chegando, sentindo o cheiro
do rango e se juntando a nós sob a luz das velas. Como havia pouca comida pra
toda aquela gente que foi chegando (a ideia inicial era um jantar pra quatro
pessoas), Gonzalo comprou duas pizzas para engordar a cena. Já na mesa, conheci Luisa, de Lima e Franck, de Londres.
Depois do jantar recolhemos mais
contribuições para a compra de mais cervejas. Luisa gentilmente nos cedeu uma
garrafa de pisco que havia trazido de Lima, sua terra natal. Depois de muitas
conversas e risadas, desci pro meu quarto sem fazer muito alarde, numa típica
saída à francesa. A mistura das cervejas com o pisco não me caiu muito bem,
digamos assim. Desci pra ir ao banheiro e quando passei pela porta do meu
quarto minha cama me fez um convite irrecusável. O que era pra ser uma
“deitadinha de boa” virou um sono até a manhã seguinte.
- mercado: 50 pesos
- almoço mexicano: 120 pesos
- cervejas: 85 pesos
La Fábrica de Tacos |
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Macarena, eu, Pedro e José |
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Cena! |
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